Segunda-feira

um carteiro lendo

the great gatsby

Carteiro, Gatsby:

pensei em você

o carteiro ali, certeiro

e as coisas

seriam outras



ele lia gatsby na calçada

e eu lembrei

lia seu gatsby azul

a capa, as letras douradas e nós

falávamos sem parar

do gatsby no tapete



e trocávamos mensagens

de texto, subject: Gatsby


(o carteiro obsoleto)

Terça-feira

SOBREVIDA

texto do Zé sobre o Brevida
e eu muito feliz, porque eu e o Zé
adorávamos as aulas do Ginzburg





Olha: Brevida.Bonita a capa, né? Será poesia?
Vira, porrada.
Nossa, que coisa esquisita.
Desespero. Corre para as orelhas. Nada.

foi pra casa atordoada com olheiras fundas antes mesmo de tentar o sono. Deixou de lado aquele belo retrato de quem mesmo? Ela já nem se lembra, mas foi numa exposição que ela nem sabia ser do Cildo Meireles. O espelho cego estava lá na quartacapa e ela não desconfiava presa que estava ali sem saber tinha certeza onde foi mesmo era um museu de arte moderna era em sampa era no rio já não lembra vários flashes vernissage com pró-seco risos caras e boca sem dente com barco afundando na baía da guanabrugrlbglubr... Suada e ofegante, do jeito que Crianço gosta. Fumou dois, fumou dez, perdeu as contas. Esperou a livraria abrir, o livro não estava. algum Serumano comprou o último.

*


Sexta-feira




Leysla Kedman me perguntava o que eu achei do texto tal do filósofo tal enquanto fazia elevação nos quatro apoios com uma caneleira velha cheirando a mofo. Disse que não tinha lido e ela disse grande bosta. Estava sobre um tapetinho preto imundo de pelo de gato. Eu estava sentada na poltrona, fumando um cigarro, naquela posição de sereia na pedra. Ela dizia que já estava acabando o exercício do dia, que era um porre, que ela não precisava passar por isso com aquela bunda esculpida por deus, mas ajudava na prospecção, além de dar mais energia nas pernocas e aliviar a tensão no salto acrílico. Leysla fez dois ou três movimentos com cada perna e cansou. Me mandou pelo menos ir lavar a louça velha da pia, não ficar aí parada me olhando enquanto eu.

Quem não conhece Leysla Kedman precisa conhecê-la. Devia, pelo menos uma vez nessa porca vida, ver a moça pintando as unhas dos pés. Enquanto blasfema.

Quando a Juliana me apresentou Leysla era fim do ano. Juliana falou que meu vestido era frondoso e Leysla não falou nada, estava quieta no sofá. Nem um pio. Às vezes olhava. Então eu e Juliana fumávamos sem parar e falar de quando tínhamos 16 ou 17 anos, que graça. Leysla olhou pra cima beijando o santo, foi tomar um banho e saiu da sala.

Quando eu reconheci Juliana era fim do ano e ela falou que meu vestido era frondoso. Assinou meu exemplar do seu livro, A Quenga de plástico, e ficamos conversando e fumando sem parar, falando do futuro. Levei pra ela meu filho feio e ela benzeu com pitú. Saí de lá um pouco eletrizada e só uma porção de nuggets com catchup e a mão carinhosa do meu bem puderam me acalmar de fato. Depois, quase nem percebo: eu estava na cama com meu parceiro, a falar do presente, dormindo, e Leysla estava sentada no criado-mudo, seminua.

Não tive escolha. Na virada do ano, réveillon e champanha, levei a Leysla. A Juliana também foi, mas ficou na lembrança. Foram dias inesquecíveis, para Leysla, para mim. Situações delirantes. Leysla é uma companhia ótima, divertidíssima, super alto astral – apesar de ela odiar altos astrais. Vivemos intensamente ali. Presenciamos momentos de riqueza.

Chegamos até a ter uma situação inusitada para contar pros amigos na volta. Bem, estávamos apenas nós duas na praia, o guarda-sol, o ipod, a canga e a Quenga. De repente, um caminhoneiro parou seu caminhão na beira da estrada, caminhou caminhoneiro até a beira d’água, tirou o macacão verde e mergulhou assim, de cuecas.

Não sei exatamente o que aconteceu ali, mas Leysla e eu (eu antes, por estar avidamente atenta) começamos a ouvir gemidos imponentes vindos daquele homem, bem daquela direção. Nem eu nem ninguém além de mim e Leysla na praia, cinquenta metros pra lá e cinquenta pra lá, nada. O homem urrava e olhava em nossa direção.

Assim que percebeu, a Leysla: “olha lá, olha lá, hahaha. Shhhhhhh! Tá doido!”. Ela falava isso sussurrando, tapinhas no meu ombro. Cala a boca e disfarça, Leysla, que ele está olhando pra cá. Merda, a gente tem que voltar pra casa, para os nossos fortes rapazes. Como vamos levar tudo isso? E a Leysla levantou: “vai à merda, Juliana, segura aí esse teu recalque que eu vou lá dar um mergulho.”

Saí de perto, né. Porra, Leysla. Voltou cantando pro almoço: camarão frito.

Foi tomar um banho, se enfeitou de short jeans e frenteúnica amarela, saltão de acrílico. Deu uma deitada no sofá e ficou por ali.

*

Quando reencontrei Juliana já era janeiro e ela veio logo com fofoca da Leysla. Disse que ela tinha sumido deixando bilhetes estranhos, mas que logo logo ela devia voltar por aí. Fumamos bastante esse dia, contei pra Ju o lance da praia e ela disse nossa, que doida essa Leysla... Achei um tom de desdém, mas né, quem sou eu?

Agora a Leysla está voltando. Não é que a puta conseguiu? Se enfurnou, fodeu, sefodeu e escreveu um dos best céleres da humanidade. Virou a estrela maior dos “orais e anais da literatura”, como ela mesma gosta de dizer.

Nessas, ela deixou de visitar a Ju, que está mordida e nem pode ouvir falar da quenga. Há dias não sai de casa e exibe olheiras fundas, não almoça, só fuma. Juliana tentando escrever uma linha sequer. Pirou um pouco, percebi. E toda vez que toca no nome de Leysla, vira a cara e gospe. E toda vez que ouve alguém falar o nome de Leysla, fuzila com o olhar e ataca um objeto da casa, e se vão os copos, as xícaras, eu mesma já tomei uma cinzeirada. Um dia ela latiu, juro.

Para tentar animá-la, a ela, que é muito mais chegada que a Leysla (ai, eu amo a Leysla, não consigo não pensar ou falar nela!), faço visitas esporádicas. Um dia levei a Juliana tomar um café na padaria e comprei pra ela uma bomba de chocolate. Adiantou médio. Depois, levei ela tomar uma breja. Até que ela relaxou um pouco, mas explodiu quando viu o livro de Leysla na estante daquele bar. Tive que arrastar ela de lá na hora. Pior: todos falavam de Leysla e a Ju chorava demais e babava.

Dias depois, só o pó, tomei uma medida desesperada para ver se Juliana reagia: convidei ela para escrever um filme comigo. Ela falou que tudo bem, mas que não ia sair de casa. Eu vou até aí, eu disse.

A casa dela estava uma zona, tudo quebrado, prateleiras largadas no chão, vidros. Mesa virada. As plantas todas secas. Ela ouviu a porta e disse entra Juju! Tô aqui na área de serviço! Tudo uma zona: “o que você fez aqui, Juliana?”. “Ah, pare de bancar a mamãe!”, revidou. Fui indo, indo para a área de serviço onde batia uma fresta larga de sol. Juliana estava de shorts jeans e biquíni. Estava com as pernas cruzadas e tomava tranquilamente um suco de laranja com vodca.



e esse é o da Analu
se não fosse ela
eu nem saberia



"Tenho culpa no cartório. E tenho provas contra (?) mim. A própria autora de Brevida, Juliana Amato, autografou no meu livro algo como “Para Analu, que me mandou o link do concurso”. Explico: fui eu quem falou para essa jovem escritora – amiga de um amigo meu – mandar alguma coisa para o concurso da editora Edith, voltado só para mulheres. Ela mandou. Concorreu com finalistas fortíssimas (Laís Tapajós, Martha Nowill, entre outras) e ganhou de 60 escritoras, no total.

Deixei o livro hibernar umas semanas na estante até a oportunidade de viajar (literalmente) com ele. Como Brevida é breve desde o título até o tamanho, passando pela linguagem do protagonista, Crianço – já já falo mais dessa criação/aberração da Juliana –, torna-se o livro ideal para viagens, super portátil e bom para ler de uma tacada só.

No aeroporto, o voo atrasou. Pra variar. E dessa vez nem reclamei, porque já estava hipnotizada pelas palavras infantis, meio débeis, ditas por um menino-homem superprotegido/demolido pela mãe, o tal Crianço. Ele não tem nome. Nem a mãe. Nem a assistente social, para quem a mãe o delega.

(Curioso: Crianço não sabe fazer nada. Só sexo. E parece que ele é bem bom nisso. Como se fosse pouco mais do que um animal.)

Em Brevida, são poucos os personagens. Mas são fortes, complexos, desconcertantes. Mesmo falando desse jeito, raso, BREVE. Acho que nunca vou me esquecer de Crianço. Acho que Crianço merece Oscar de melhor ator de livro!

E o contraponto ao Crianço é uma socialite (nojenta) que aparece no meio do livro dando uma entrevista para uma revista de fofoca. Aquelas perguntas bestas para respostas idiotas. Mas ela também não é uma celebridade qualquer. Durante a entrevista, conhecemos seu lado “B”.

E, de uma maneira muuuito inusitada, é o sexo que une essa personagem do mundo de Caras ao “portador de necessidades especiais” (e pobre), Crianço. É a tal linguagem universal dos… homens? Ou seria dos animais?

Bati o olho na crítica do Renan Nuernberger que está no blog da Juliana e li o nome “Macunaíma”, associado ao protagonista de Brevida. Pensei: “putz, como é que não me liguei disso antes?”

Simplesmente porque, para mim, Brevida não me parece com nada do que já li. Falando assim parece que o livro é um OVNI, alguma coisa fora da realidade. É e não é."

Quinta-feira

por marcelino freire, o brevida
agradecida.



"Não fiz parte do júri.

Eu não li o Brevida, novelita de Juliana Amato.

Explico: ele foi um dos mais de 70 originais que a Edith recebeu de todo o Brasil para participar do primeiro concurso Só Escritoras.

Eu faço parte da Edith e não queria me meter. Que os outros amigos fizessem a seleção, votação e mandassem as finalistas para o júri final.

Já neste primeiro júri, o livro de Juliana foi unanimidade.

Ao chegar às mãos das juradas que escolheriam a vencedora, outra vez unanimidade.

Viva e ave!

Aí fui ler, finalmente, este instigante e hipnotizante Brevida.

Escrita vupt, vapt. Coisa breve, de fato. Curta e desconcertante.

Porque Juliana vai além – do gênero. Vê-se que se diverte feito um Crianço – este, um dos personagens mais cômicos – se não fosse trágico – que li, assim, por esses tempos sombrios.

A história? Ora, vai te catar. Não há como resumir o Brevida (ou seria a vida?) tão facilmente.

Por isso que esse livrinho é grande.

Inscreve o nome da jovem autora paulistana como uma das boas novidades deste ano.

Fique ligado, amigo leitor, em Juliana Amato.

Vida longa para ela.

E vamos que vamos.

Fui."

Sábado

2/1/2012


Não sei se vocês perceberam, aqui temos um microclima próprio. Forma uma enseada. Estamos na região da enseada e aqui forma um microclima, como a depressão dos vales. Como a praia está em uma posição diferente das outras, ela olha para um lado que as outras não olham, o sol não nasce no mar. O tempo é diferente, as chuvas são rápidas e locais. E quando chove fora da enseada, aqui às vezes continua fazendo sol.




SANDRA disse, em SERRAMBI-PE, 2011-12

Domingo

recesso adeus feliz ano bom.





"- Amor, você me acha PORCA?

- Não, acho só que você põe muita comida no garfo."

Terça-feira

bom mesmo é receber um retorno desses
tão bom que pedi pra publicar
obrigada, Renan

"1 de dezembro de 2011 04:13

Juliana, o Brevida é muito muito foda! formidável (de forma).

Crianço, cabeça-de-piá com o pau-na-mão, parece um Macunaíma mais fudido (sem aquele drible fácil que salva o dia mas não impede o final trágico). mais triste. como aquela imagem do Nelson Provazi, verdadeira capa do livro desfigurada em tintas fortes (e por isso tão real).

Brevida não é apenas uma ótima estreia, é uma abertura enorme de novas possibilidades de escrita. você consegue apreender muitas demandas – não apenas literárias: refletir sobre o Brasil (refletindo, por sua vez, o mundo) sem restrição estética; compreender a infantilização terrível em curso; incorporar as estruturas de linguagem corrente (esse, sim, o verdadeiro prosaismo contra tanta falação sem tutato); explodir de verdade os gêneros que ainda, em alguma medida, permitem uma pré-catalogação dos textos, etc.

é como se você pegasse várias pontas do debate cultural mas torcesse um nó. era tão óbvio! mas ninguém fez (até agora). penso em obras como Cidade de Deus com seu realismo, digamos, mais clássico e todo uma tendência de prosa "de violência" altamente lucrativa para editoras e produtores de cinema. penso também em uma produção fechada em si, com uma acuidade que pode beirar o maneirismo, mas que tem sua força e importância num mundo cada vez mais relaxado (aqui no mau sentido); penso também num grupo que discute a citação, o copyright, a autoria e propõe avanços na própria configuração do que é literatura. penso ainda em outras coisas (de Sérgio Bianchi a Kafka) e como tudo é importante e como era preciso reprocessar tudo, avançando criticamente, pra mostrar a vida atrás da casca dura e seca. penso, sobretudo, como Brevida contém isso e muito mais!

as construções finas, com várias camadas de espelhamento
"OOOOOOlha sóóóóóó"
(com 6 Ós pra lá e pra cá);
as palavras da assistente e da entrevistadora;
a própria estrutura de uma entrevista pra Assistência Social e Caras;
etc

estou escrevendo de enxurrada (queria escrever antes e mais).

sua Solange Nagib, por exemplo, me entusiasmou também. alguém precisava pegar essa personagem e colocá-la no centro da trama (como o Machado de Assis fixando seu interesse naquilo que em Alencar era secundário) e seu marido corno e rico no devido lugar! reproduzindo estruturalmente a encenação de Caras para mostrar o ridículo em seus próprios termos.

quero, aliás, mostrar uma tentativa de romance que estou elaborando. chama-se Esculacho. senti-me muito influenciado pelo Brevida embora não o tivesse lido ainda (o que chamo de Zeitgeist!). claro, não tenho sua desenvoltura para um texto tão complexo. na verdade, o meu é muito rudimentar (por vários motivos: ainda está muito cru, fico preso em alguns parâmetros esclerosados, exponho demais as arestas) mas gostaria que você lesse quando puder.

espero que o e-mail não tenha ficado muito confuso."

Renan Nuernberger

Sexta-feira

sonhei com você (pior é que é verdade)



sonhei com você e era você

eu também era eu

em buenos aires

nós e mais quatro

pessoas sem rosto


arranhei um espanhol

do banco de trás, chegamos

nós num boteco minúsculo e imundo

mais imundo que todos

os que já passamos


em volta da mesa

(no mesmo boteco sujo

com as mesmas pessoas sem rosto)

comíamos, enfim

comíamos com hashi

você me dava, com seu hashi

comida na boca: cenoura ralada, picanha seca

coxa de frango queimada – estávamos duros


muita comida num só hashi

caiu tudo no meu vestido


você riu eu muito vilã:

(olhei os quatro sem rosto

e você, de rabo de olho)


adivinha quem faz aniversário hoje........

você nas minhas costas sussura filhadaputa

e todos, espantados, sem rosto

entreolharam-se:



aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

PA RA BÉNS

PRA

VO

CÊÊÊ!


certamente, eu ri

dessa coisa mais sem-graça

e agora é o consciente

que fala

Quarta-feira



VENDE-SE

olá amigos.

Muito bem: quem foi, foi. Quem não foi está perdoado. E venho por meio deste avisar que o Brevida está à venda aqui, para delírio dos jovens insanos e desespero das senhoras de família. Risos.

Venho dizer também – e quem foi ao lançamento pôde ver – que o livro tem uma linda arte de capa/quartacapa (de Nelson Provazi), que de tão linda virou pôster (é a imagem que ilustra o post). Pois bem, sem mais delongas, esse pôster está à venda aqui mesmo, no meu rincón. Se você gostou do livro e gostou muito da arte da quartacapa, pode pendurar na parede. Se você não leu o livro e gostou muito da arte da quartacapa, também pode. Se você odiou o livro e pensou “como um livro tão lixo pode ter uma quartacapa tão linda”, você pode ter SÓ a quartacapa. Haha.

Se o leitor se interessou, as especificações: o pôster tem 40 cm x 60 cm e custa 35 reais, com o frete já incluído.

Quem quiser um pôster desse, escreva para jujamato@gmail.com e peça o seu, a tiragem é limitada!

abrazos.

Segunda-feira


ei-lo



Sexta-feira

Se hoje eu estivesse atravessando a rua e fosse atropelada, e morresse, voariam 6 exemplares do meu livro, e eles pousariam na rua, e as pessoas em volta não ligariam pra ele, mas pra mim, que estaria estatelada atropelada. Os meus livrinhos ficariam jogados na rua, e por cima deles iam passar carros, motos, o pipoqueiro e transeuntes. Meus livros, que têm a capa branca, ficariam encardidos e com marcas de pneus e de sapatos, e iam chegar até os bueiros e mendigos da pracinha ali do lado. E amanhã, na mesa da Balada Literária que eu iria participar, todos fariam um minuto de silêncio por mim, com uma foto minha p&b e uma coroa de flores em volta – alguns chorariam. O mediador e o organizador contariam ao público presente o que aconteceu e meu livro ia esgotar no mesmo dia, logo no dia do lançamento, homenagem que todos me fariam: morreu jovem para viver sempre. Semirrimbaud.

E os seis que se perderam no atropelamento seriam exemplares raríssimos.

E a história do Brevida não teria continuação, para mim.

Mas ainda bem que sou uma autora estreante cautelosa, e atravesso sempre na faixa, olhando pros dois lados. Então, nesse nervoso que não vai me deixar dormir tão cedo, desejo muito que amanhã tenha sol, porque eu prefiro, e que todo mundo apareça, feliz, pra comemorar junto.

Quinta-feira


primeira chamada
só podia ser numa biblioteca amoroso

Quarta-feira

meu amor tá balançando

foi balançar na praça

meu amor está

em perigo de pular

pela janela, meu amor

Segunda-feira








na festa da iara
tava tudo bonito

Terça-feira

de M. para F.
inverno, 2011



assim recomeço depois da demora

culpa do A aberto

do caos, da casa

do novo fôlego


continuo longe as roupas estão

no devido lugar

(é possível sim dividir completos

estranhos e sonhos oui)


no vagar, nunca fui a porto alegre

sequer ao porto

mas às montanhas

ao novo ano

ao branco puro aos amigos fui

à irremediável fronteira

da língua:


por exemplo randonné significa

escalar a neve

descobri a 2 mil metros do chão

e alguma ideia na cabeça

para um papel



*



DEZANOTAÇÕES SOBRE A POESIA

assim recomeço me perdi

e então, diariamente feliz


vi Baudelaire milimétrico, construído

pela primeira vez

pois bem há os que ganham

por pontos

os de nocaute

os dos momentos amargos

que já passei


projetos poéticos passam a perna

p-p-p-p

o projeto poético, um enganador

eu, muito menor (debutante

no auge

da hysteria - saltinhos)

um projétil, nenhum Rimbaud

nem meio rilke

muita potência, pouca questão

as solas dos pés ardem no chão

os olhos não estão prontos

para rever


o resto desse que se vai

fica aqui e um abraço

demasiado

apertado

Segunda-feira





Festa da Iara

Música. Poesia. Performance. Videoarte. São os destaques da Festa da Iara

22 de outubro, sábado, das17h às 22h na Casa ao Cubo


A editora e produtora cultural Publicações Iara - em parceria com a Casa Ao Cubo - apresenta a Festa da Iara, uma celebração da poesia e das artes visuais contemporâneas. A programação conta com sarau organizado pelo coletivo Quatro Peixes, composto pelas jovens poetas Ana Rüsche, Maiara Gouveia e Roberta Ferraz; pocket show da cantora Rafaela Rabesco com Aline Scolfaro no violão e o tecladista Carlos Eduardo Paiva, da banda Tia Landa; performances de Gisele Inácio, Débora Nowak e uma participação surpresa.


Poemas, vídeos e instalações sonoras ocuparão o espaço da Casa Ao Cubo, um típico sobrado paulistano localizado na Vila Mariana. Elizandra Souza, Fernanda Grigolin, Flávio Louzas, Gisele Inácio, Julia Alquéres, Juliana Amato, Karina Francis Urban, Patrícia Francsco, Pedro Tostes, Tomaz Sá, Daniel Minchoni e Sinhá participam das intervenções artísticas cuja curadoria é de Publicações Iara com apoio do projeto Poesia Pod.


Para encerrar a festa haverá bolo e o show da banda The Outside Dog. Convidado especial da Casa ao Cubo, o quarteto, composto por Pedro Gama, André Sanches, Ciro Jarjura e Dmitri Medeiros, estará com seus violões de aço, banjos e gaitas para fechar a festa com uma grande dose de Folk e Rock and Roll.


Programação:

  • 17h | Performance de abertura Gisele Inácio
  • 17h30 às 19h | Sarau coordenado por Quatro Peixes
  • 19h às 20h | Pocket show Rafaela Rabesco com Aline Scolfaro e Carlos Eduardo Paiva
  • 20h às 20h30 | Performance de Débora Nowak
  • 20h30 às 22h | The Outside Dog e Performance de Gisele Inácio


Serviço:

Festa da Iara | 22 de outubro (sábado) | 17h às 22h.

Casa Ao Cubo - Rua Prof. Sud Menucci, 342 - Vila Mariana, São Paulo.

Quinta-feira

Tópicos de uma velha carta

(encontrado no baú de MARCH 2011)




- o lugar no mundo: primeiro tema

- depois a falta de concentração

- a preguiça

- a ideia de imitar um macaco enquanto o poeta solene declama ao microfone

- o dever de ficar em silêncio, ao silêncio (verificar construção gramatical)

- o dever de dizer alguma coisa

- meu eu-lírico, pessoa inconclusa, eu abandono as discussões de casal

- a inveja de quem sabe falar

Editora Baleia na Loja da Iara

Acabou de ser inaugurada (virtualmente) a Loja da Iara. Ali as meninas resolveram reunir livros de artista, fotografias, lançamentos de gente nova na pista, trabalhos coletivos. É um cantinho para vender as coisas delas e de amigos (tipo eu) sem intermediários.

E?

A Editora Baleia (http://www.editorabaleia.com.br) lançou, há alguns anos, três lindos livros: Encarniçado, de João Filho, Mal pela Raiz, de Jorge Cardoso, e Pornografia pessoal de um ilusionista fracassado, de Nilo Oliveira. A Baleia fechou, mas ficaram os rebentos, muitos rebentos. E você não encontra eles em lugar nenhum, talvez em sebos, mas daí eles vão custar os olhos da cara, pois são raridades raríssimas, rs. Assim, quando a Loja da Iara abriu, veio a ideia de vender essas edições.

O editor concordou, as meninas concordaram, e zás.

Então que quem quiser adquirir os livros da extinta agora pode fazê-lo por ali. Estão disponíveis o Encarniçado (um livro muito muito bom, referência) e o Mal pela raiz (também incrível).

Se não quiser adquirir nenhum dos dois, dêem um pulinho na lojínia, que tem mais uma porção de coisas legais.

O endereço: http://www.lojadaiara.com.br

Quarta-feira



coisa número dos
fiquei sabendo na segunda e
ainda meio tonta catatônica
venho dizer por aqui

meu livreto Brevida ganhou o concurso
SÓ ESCRITORAS
da Edith
e ele será publicado
para deleite da família brasileira

vejam, abaixo, a Bruna Beber, jurada, falando dele. foi bonito.

O mundo tá cheio de microfones. Às vezes penso ainda bem, pois quanto mais pessoas falam, maior a circulação de ideias. Mas, nem sempre. Nem sempre cai na mão um autor que tem algo a dizer. É assim desde a Grécia! E Juliana Amato, sem dúvida, tem. Uma surpresa que desconcertou o júri. Vocês também ficarão surpresos, esperem até conhecer Crianço, a Assistente Social e Mamãe Biscate. Esse livro é bizarro, um ABUSO. Mistura poesia, roteiro, romance, novela. Se misturasse mais, explodiria. Você vai notar inúmeras câmeras escondidas: dá vontade de filmar. Esse livro é bom. Até o título – “Brevida” – é bom. Comprem.

provavelmente todos os que me leem aqui já sabem
pois são meus amigos do face e rolou mó festinha virtual
mas quis dizer aqui, também

para agradecer, gracias gracias gracias

nos vemos 19 de nov.
mais novidades virão



coisa n1: lançamento da Modo3, impressa
O terceiro número impresso da Modo de Usar & Co. traz:

textos inéditos de

Dirceu Villa, Inês Cardoso, Paula Glenadel, Renan Nuernberger, Rui Camargo, Victor Heringer, Walter Gam, Liv Nicolsky, Rodrigo Damasceno, Leonardo Gandolfi, Marco Catalão, Fabiana Faleiros, Érica Zíngano, Rodolfo Caesar, Mario Sagayama, Júlia de Carvalho Hansen, Érico Nogueira, Reuben da Cunha Rocha, Leandro Rafael Perez, Fabrício Corsaletti e Marcelo Sahea, além de inéditos dos editores Angélica Freitas, Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck

e traduções para textos de

Gertrude Stein (por Inês Cardoso), Charles Pennequin (por Marcelo Jacques de Moraes), Kenneth Koch (por Marília Garcia e Wilson Reis), Violeta Parra (por Ricardo Domeneck), Vicente Huidobro (por Juliana Amato), Nathalie Quintane (por Paula Glenadel), Rodrigo Álvarez (por Marília Garcia), Helmut Heissenbüttel (por Marília Garcia e Wilson Reis), Roberto Bolaño (os poemas por Fabiano Calixto, o conto por Tiago Guilherme Pinheiro), Emmanuel Hocquard (Marília Garcia), Rosmarie Waldrop (por Andrea Mateus), Christian Prigent (por Marcelo Jacques de Moraes), Charles Reznikoff (por Marília Garcia), Cecília Pavón (por Marília Garcia) e John Ashbery (por Ismar Tirelli Neto).

Além da revista Modo de Usar & Co. 3,
foram lançados no sábado (17) os seguintes títulos

[poesia/ modo de usar & co.]
Cigarros na cama, de Ricardo Domeneck

[coleção móbile / lumme editor]
El caso Torquato Neto, de Mario Cámara
Escrever de fora, de Paloma Vidal
Nos confins de Judas, de Carlos Eduardo Capela
O preço da poesia, de Paula Glenadel

[ensaios / lumme editor]
Fazer lugar [a poesia de Ruy Belo], de Manoel Ricardo de Lima
Soldado aos laços das constelações: Herberto Helder, de Luís Maffei e Lilian Jacoto (org.)

Angélica Freitas, Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck, editores da Modo, que também está sempre sempre aqui http://revistamododeusar.blogspot.com

** a revista está à venda na Livraria Berinjela (RJ) ou pelo email: revistamododeusar@gmail.com

Segunda-feira

Queria acordar em outro corpo enquanto você faz café. Mas mesmo assim do lado do seu. Do seu outro corpo. Essa coisa de corpo, rimos da própria voz. Outros e a arte de perder não tarda, disse Marianne e era Elizabeth, não te disse que estava esquecendo os nomes.

Dizer la poésie comme l’amour risque tout sur des signes é como abrir um dos olhos, e o outro fica mesmo por conta do tcheco comestível, Kundera, rimos outra vez dessa vez com inocência, ela existindo. E então eu levanto e agarro meu exemplar do diário, e então Alejandra pula ameaçando, a faca no pescoço, no meu, mas era só mais um: sueño/pesadilla.

Lembramos de Cummings e foi difícil escolher o trecho, seleção numerológica, já que adoramos um lance sobrenatural.


Beautiful

is the
unmea
ning
of(sil

ently)fal


Nessa hora acordo mesmo, e você está, e não está.

Quinta-feira

A ideia de começar a escrever COM cartas veio de uma correspondência virtual. Entre um email e outro, algumas discussões da nossa dificuldade, e como ambos tentávamos tentar à exaustão. Tentávamos qualquer coisa, todas as coisas que vinham na cabeça e tentávamos dar nome, e tentávamos combater os nomes. Mas isso já está ficando poético demais. Objetividade, Juliana: foi que dessa correspondência nasceu um poema que me deixou bastante satisfeita, que se chama RE: The National – que está logo aí embaixo. Falávamos da banda, do show da banda e de várias outras coisas sobre as quais pessoas se entendem falam sem explicar muito. Pois bem, RE: The National emocionou meu interlocutor, e abriu a cabeça para um novo projeto, um longo.

Não vou contar exatamente aqui como estou pensando o processo (mesmo porque já deve dar pra imaginar, e porque as coisas têm que parecer espontâneas). Mas preciso de material desconhecido. Preciso de cartas. Prometo sigilo, ninguém vai ter o nome exposto. Preciso de cartas, me doem as velhas, as novas as que vocês não querem ler de novo de jeito nenhum. Elas não precisam estar no papel, podem ser digitadas e podem ser email. Podem tratar de qualquer tema, amor, despedida. Podem ser cartões postais (mas daí tenho que saber de onde – a foto). Pode ser uma carta pra mim, também – mas aí vai ficar demasiado difícil. Enfim. Pessoas se escrevendo, epistolares.

ps. Acabei de lembrar que a ideia não veio da situação que escrevi aí em cima. Essa situação me fez relembrar, acho que por isso ficou mais marcada. Quem começou com essa história foi o Peter, eu mesma, numa carta pro Peter.

O que importa é que quem quiser ajudar, participar, contribuir pode escrever para:

microclima.cafe@gmail.com


myrtle.



Uma menina sonha frequentemente com homens muito severos e sente no sonho o rosto muito quente e até chora no próprio sonho. Uma mulher acorda frequentemente sem saber a hora, e na hora errada. Levanta, toma banho, se arruma e percebe o erro então troca o vestido pela camisola e dorme outra vez, rápido, e dessa vez até a hora certa.

Terça-feira

dezlugares de se sentir muito só

(desprojeto pra Marilia)



o último vagão

sala de espera do pronto

socorro!

ponto de ônibus a essa hora demora assim


(eu serei sua lembrança vaga

a gente não se entende mais)


praça de alimentação aos sábados

fila do banco em S

você precisa decidir

mas escuto canções de amor

e esqueço


você não me tem como antigamente

você cortou as cabeças das rosas

agora como será possível vencer o luto

das quatro paredes



acabou a força, acabou a força

Segunda-feira

3 pequenos poemas para
nelson provazi

no escuro você não enxerga nada mas a janela
a janela vai ficar pequena fecha o olho e lembra
o que você sempre disse

*

nascemos muito velhos
a canoa é um rastro
solte suas mãos no meu rosto
na sua pequena criatura

*

quando quero cortar
aperto mais e feroz
(a solução: aqui é meio claro
meio escuro)

conheci um cavalo inacessível
e extremamente dócil

Quarta-feira

a paulinha do curso

pouca coisa sei
da paulinha do español
sei que ela odeia cigarro e que inclusive
diz isso a los fumantes por la calle
(abana as mãos ao passar
e faz barulho de pum
com a boca)

também sei que fez direito na puc
sente sono cedo
e a mamãe era funcionária pública
né mamãe?

sei que a paulinha do curso
acha que o curso é só dela

não gosta de coisa alguma
tem um namorado, coitado
sabe muito de tudo
e toma inibidor de apetite
para diminuir os culote

Sábado

este é o meu resquício
pedaço de pele na página
o que fica a menor
presença, o rastro
o risco do vago

eu-superfície

os pés da bailarina sangram nas pedras
mas ela dança

ondas atrás

o segredo cifrado
o que teme, implora
e vence, está sempre
por baixo da casca
(e se desconhece)


*

meu poema publicado na revista Minotauro. o tema dessa edição era carne.
é uma revista linda que enche de orgulho.
você pode conseguir uma pelo email: minotauro.revista@gmail.com
tiragem: 500 exemplares numerados.


Sexta-feira

Segunda-feira

A MINOTAURO ESTÁ DE PASSAGEM POR SÃO PAULO

ELA veio do Rio de Janeiro

e está na TERCEIRA edição
é linda na diagramação, conteúdo
e impressão

será no Bebo sim (avenida professor alfonso bovero 1056)
amanhã 21/6
a partir das 21h
15 reais depois das 22
antes, entrada franca

deixem a fobia social de lado e apareçam!
antes das 22h, que é mais barato
e amanhã é terça

saludos!

Sexta-feira

às 20h no café burguês
fui de capuccino e você
ficou histérico
pediu pra mocinha
um copo d'água
da torneira

não tirou o chapéu
para sentar
nem pra mim
nem pra nada

você odeia o café burguês e diz:

ele é frequentado pela burguesia idosa
(eu rio por fora)

no café burguês
você torceu o nariz
eu quis sumir dali
pela milésima vez