sexta-feira



OFICINA

Foi a primeira vez que fui ao Teatro Oficina. Domingo. Esperava demais. Sempre gostei dessas atitudes posturas propostas antropofágicas. A peça era Vento Forte para Papagaio Subir, texto de Zé Celso, escrito em 1958 e o primeiro encenado pelo grupo. O primeiro. Imaginava só o teor e a audácia do texto, os primeiros são sempre mais puros e verdadeiros, sim, audaciosos, fortes, originais, escancarados, violentos.

A peça conta a história da cidade de Bandeirantes, de um garoto de Bandeirantes que, após uma tempestade, ventos e inundações, não consegue prever seu futuro. Sim, ele é um garoto diferente, com aspirações diferentes às dos outros habitantes da cidadezinha, e, sim, a peça explora o dilema entre libertarse e conformarse, entre manter e romper o paradigma. Isso sim é que é clichê.

É clichê mas é necessário o tempo todo; a gente se constrói desses opostos, nossas ações e pensamentos são conduzidos por. É a nossa maneira, a maneira, de nos questionarmos para que produzimos, fazemos arte, por exemplo. E essa questão da libertação pode ser explorada de inúmeras formas. A do Oficina foi a mais bonita que eu já vi. Foi a experiência mais incrível, mais emocionante que eu tive com o teatro, por enquanto, e é metalingüística, reflete a proposta do Oficina. Claro, no final o jovem vai embora da cidade. Rompe.

Com atuações, cenários e intervenções magníficas. O que restou foi não parar, um segundo sequer, de viver o texto em mim, nem-piscar, admirar desesperadamente. E chorar no final.

3 comentários:

flape disse...

Puxa! So me resta querer ter ido!


beijo!

Anônimo disse...

Final de peça e de filme não se conta...

Juliana disse...

Ah, anônimo, mas o final é o que menos importa.