sábado

heroína trágica



AVE MAYSA!

Acabei de terminar o livro ‘Maysa – Só numa multidão de amores’. Dá pra perceber pelo título deste blog, que eu adoro heroínas trágicas. Uma adoração assim meio ingênua, totalmente romântica, e que não oferece nenhum perigo. Pois então, falemos de Maysa. Ou melhor, da biografia ótima que o jornalista Lira Neto escreveu.
Do começo ao fim a gente fica preso, não é possível esquecer o livro num canto, graças à combinação da personalidade intrigante de Maysa e da narrativa fluente de Lira Neto. O melhor é que o livro não se prende à vida e obra da Maysa só. Faz uma viagem e traça todinho o panorama ao longo do tempo e da vida da figura.
E que figura. Além de linda e dona de uma voz idem, possuía uma personalidade desafiadora que transparecia de cara pelo olhar – os mais ainda famosos olhos verdes em close-up. Algumas curiosidades vão sendo esclarecidas, e vemos que as pessoas que desafiam qualquer tipo de ordem para realizar o que acreditam abrem caminhos, cabeças, possibilidades. E sofrem muito também. Maysa viveu renascimentos constantes.
Apesar de não ser muito lembrada hoje em dia, Maysa foi uma transgressora de sua época tanto no meio pessoal como no profissional: depois de anos em um casamento infeliz, divorciou-se de André Matarazzo para poder encarar a música como profissão. Também foi a primeira artista consagrada a pisar no Canecão para fazer show para um público imenso, enquanto os cantores famosos da época só encaravam boates. Ela só gravou o que quis, e tudo do jeito que quis. Quando viu que seria engolida pela máquina da ‘despersonalidade’, largou tudo e foi viver em seu refúgio, casinha e praia deserta, para encontrarse.
Enfim – e chega, porque isso é para que vocês queiram ler o livro, havia os problemas da bebida, da solidão, da angústia. O lado mais humano. Que todos nós temos e, principalmente, adoramos observar nos outros...
Porque não há tristeza mais constante – e mais bonita – que aquela que não se explica (olha a adoração ingênua de novo...).

Um comentário:

Lu Marra disse...

Curiosamente, semana passada, saí de uma reunião e li meu cartão pessoal: consultor de marketing. Entendi a tal despersonalização, um cartão despessoal. Tentarei um hedonismo alienante, já que, como artista, não sou nada... mas antes vou conversar com a Maysa. Boa dica, como sempre.