sexta-feira

ela um buraco



Ela não tem esse direito. Depois de tudo dito, de tanto dito ela pensa querer mesmo desistir. Não tem força para nada ela, nem para desistir. Resistir? Pior. Pensa que será tempo perdido demais, desgaste físicoquímico demais. Não há o que fazer, pois, diante de abismos tamanhos. Abismos? Sim. Muros incompreensíveis. E é por tão pouco, a força é pouca, a voz não sai. Nem as lágrimas. Está parecendo uma esponja seca, uma casa de madeira velha, um abandono caminhando. Se deixando abandonar diante do abraço quente que é gente, que sofre igual e aceita. Ela é um buraco, e acredita que entregarse a uma existência confusa é a saída. Engano. Porque não há saída para as urgências, e as urgências são sempre.

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