segunda-feira

relembrança


Embrace - Egon Schiele, 1917.

Lettre

Encontrei a carta. Não. Ela sempre esteve ali, pedinte. Melhor: peguei a carta, reli reli reli – deve ter sido a vez nº 5439 ou mais. Sem falta ou fôlego relembrar é. Preciso dizer que agora, talvez, é sim a resposta, sim, e que seja sempre, sem que. Preciso. E dizer mais: a resposta sempre foi sim não acredite nas passadas, elas sofrem influências de tudo o que é mais nocivo para amores: sim, medo, não. A partir do partir assustado, do fujão, vira rotina imaginar o que poderia ter sido não fosse o. Mas foi não. E coisas assim acontecem para que não se perca o imaginar, fantasiar e alimentar uma saudade de que? Saudade. Coisa que não se come. Se fome. Aconteça o que acontecer. As cartas estão aí, estão dadas, a sorte está lançada, apesar de. Não acreditar em sorte, não. A sorte está lançada, não houve nunca uma resposta, foi fuga e foi desatenta. Em nome de tudo e nada que já aconteceu, ouça e não responda, nunca. Não precisamos respostas.

2 comentários:

Gustavo disse...

A gente sempre precisa de mais certezas do que as realmente necessárias.

plinio disse...

cartas necessárias em meio de livros.. remetentes e destinatários engavetados, com e sem destino, remetem a lembrança boa... amei, também o blog