terça-feira

Oida


Yoshi Oida

'... a expressão teatral não se resume apenas a dividir um diálogo com outro ator, mas em descobrir as motivações escondidas que estão, antes de mais nada, no próprio diálogo. As palavras do texto são uma manifestação das motivações. Em resumo, as palavras estão em segundo plano.' p. 25

'... um teatro cuja essência é a comunicação que nasce entre os atores e o público. Considero o teatro que é puro espetáculo, pura ostentação de cenário, figurino e iluminação como não sendo o verdadeiro teatro. Para que a relação atores-público seja ideal, não é preciso que os atores dêem muitas informações. Isso a fim de evitar que o público se torne passivo, que se contente em apenas receber aquilo que os atores propõem. Pois, nesse caso, a participação do público na comunicação teatral torna-se dispensável.

Ambiciono criar um teatro em que o público possa recriar, por si só, a partir de sugestões dos atores, a história proposta. É preciso falar à imaginação dos espectadores, fazer tudo para favorecer sua participação ativa no desenvolvimento dos temas do espetáculo. O melhor meio de se chegar a isso é o de limitar a informação, de adotar, em todos os níveis, uma atitude minimalista na representação, como na expressão dos detalhes, cenários, acessórios e figurino. É somente dessa maneira que se pode criar essa sensação de 'espaço vazio', que permite despertar a imaginação do público. Não se pode tratar o público como um grupo de turistas cuja curiosidade superficial é facilmente satisfeita.

(...)

É só a partir disso que o público e os atores podem se comprometer juntos no caminho que leva a uma outra existência.' p. 192/193

do livro: Um Ator Errante.

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