domingo

ARRUFOS


Ph. Divulgação.

Inspiração demais

Abajures no meio das poltronas duplas. Amor. Amor por todos os cantos e de múltiplas formas, todas enormes.
A peça Arrufos, criação coletiva do Grupo XIX, em cartaz até 11 de maio, explora as relações amorosas de diversos tempos, desde o século 19 até a contemporaneidade no Brasil. Iniciando com a perspectiva da fuga de um amor imposto e finalizando com a dificuldade que representa, hoje, falar e viver e encontrar e saber o amor, o grupo apresenta e reflete diversos conceitos através da vivência. É possível notar, ao longo da trajetória de algumas personagens – que não têm nome – , de falas e discursos, idéias de Barthes, Fromm e outros.

O mais bonito é isso. Mergulhar em pesquisas, saber muito bem sobre o que se fala e entender o como, a própria proposta de falar. O que vem com isso é a forma particularmente bela que tem esse espetáculo, essa vivência. Porque lá há uma simplicidade, uma humildade da parte de todos os envolvidos. O grupo cria uma atmosfera em que se torna impossível não entrar, resistir, pois as barreiras entre público e atores são derrubadas e o primeiro participa por desejo.

Além disso, essa possibilidade vem da sensação íntima que tudo transparece no espaço cênico. A arena, a iluminação simples, as soluções de cenário e figurino – que se transformam a todo momento – e os atores responsáveis por toda essa movimentação.

(Tem uma confusão de datas por aí. Tem gente dizendo que acaba neste fim de semana, tem gente dizendo do próximo e gente dizendo que será só dia 18. Vale a pena se informar e assistir.). SERVIÇO: Vila Maria Zélia, Belenzinho (Rua dos Prazeres esquina com a rua Cachoeira). Sexta-feira, 21h. Sáb, 20h. Dom, 19h. R$ 20. Duração, 110min. 16 anos.

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