terça-feira

trecho. leitura obrigatória. muito obrigada pelo presente.



O NATIMORTO - Lourenço Mutarelli


'O Agente – Como eu disse, eu tenho algumas economias.

O Agente – E, na verdade, não agüento mais o mundo lá fora.

O Agente – Não é só da minha mulher que eu estou falando.

O Agente – Eu falo de tudo e de todos.

O Agente – Eu não suporto mais ser agredido.

O Agente – Então eu te proponho isso.

A Voz – Isso o quê?

O Agente – Bom, com as economias que eu tenho acho que poderíamos viver aqui nesse quarto de hotel por, aproximadamente, uns cinco ou seis anos.

A Voz – Meu Deus!

O Agente – E veja bem, isso sem nunca precisarmos sair daqui.

O Agente – E ainda existe a chance de que por fim nos esqueçam aqui, aí então viveríamos aqui pelo resto de nossas vidas... Protegidos...

A Voz – Meu Deus!


(...)


A Voz – Meu deus! Isso é tão absurdo... e, ao mesmo tempo, tão tentador.

O Agente – Espera. Isso, o que estou te propondo, não é mais absurdo que o próprio casamento, é?

A Voz – É, na verdade... não.

O Agente – Olhe para você...

O Agente – Olhe para sua delicadeza.

O Agente – Eu tenho tantas idéias. Eu tenho tantas histórias.

O Agente – Eu podia distraí-la contando-as a você.

O Agente – E você cantaria para mim.

O Agente – E nós cuidaríamos um do outro.'

ps. 38 e 40.

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