segunda-feira


foto do filme. 'A Insustentável Leveza do Ser', de Philip Kaufman, 1988.

AUTOFLAGELO 6

Relendo: A Insustentável Leveza do Ser. Milan Kundera. Tereza e eu. Eu e Tereza.

‘(...) nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido.’ p.10
‘Não seria mais a reação histérica de um homem que, compreendendo em seu foro íntimo a inaptidão para o amor, começa a representar para si próprio a comédia do amor?’p.13

‘Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).’ P.21

‘Novamente riam às gargalhadas: - É normal que você tenha vontade de fazer xixi! Você ficará ainda muito tempo com essas sensações. É como as pessoas que tiveram a mão amputada – continuam a senti-la por muito tempo. Nós não temos mais urina, mas mesmo assim continuamos a sentir vontade de mijar.’ P.25

‘Tereza lhe anunciava que tinha voltado a Praga. Tinha ido embora porque não sentia forças para viver no estrangeiro. Sabia que ali deveria ser um apoio para Tomas, e sabia também que era incapaz disso. Acreditara ingenuamente que a vida no estrangeiro iria transformá-la. Havia imaginado que depois do que vivera durante os dias da invasão não seria mais mesquinha, que se tornaria adulta, sensata, corajosa, mas se superestimara. Ela era um peso para ele, e isso era justamente o que não queria ser. Queria evitar as conseqüências antes que fosse tarde demais. E pedia desculpas por levar Karenin’. P.34

‘O amor entre ele e Tereza era belo mas doloroso: era preciso sempre esconder alguma coisa, dissimular, fingir, retificar o que dizia, levantar-lhe o moral, consolá-la, provar continuamente que a amava, suportar as reclamações de seus ciúmes, de seu sofrimento, de seus sonhos, sentir-se culpado, justificar-se e desculpar-se. Agora, o esforço tinha desaparecido, e só ficara a beleza.’ P.35

‘Mas o homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento.’ P.39

‘O acaso tem suas mágicas, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante (...)’ p.55

‘Posso, portanto, dizer que o amor era para Franz a espera contínua do golpe que iria atingi-lo.’ P.89

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