28 de março de 2008

a questão é


Giuseppe Arcimboldo, Flora. 1591.


CORAJOSA, é isso.
eu tô ficando corajosa.
isso é obra sua.

24 de março de 2008

sobre ir desistindo no caminho

um amigo disse:

Juliana, você está certa. Academia é lugar de muita promiscuidade.
(risos)

20 de março de 2008

DERRELIÇÃO


Susan Damasceno, como Hillé, em A Obscena Senhora D.

A busca e o homem, tão ínfimo que não se aquieta. Hilda Hilst, provocadora e árdua. E uma adaptação exemplar de Susan Damasceno e Germano Melo.
Tudo colabora com o clima de desolação e abandono da personagem Hillé - a Senhora D - que, aos sessenta anos, decide viver num vão de escada para entregar-se à busca. Do sentido das coisas. É aí que ela também se dedica a reviver momentos passados com Ehud, o falecido marido, que se empenhava em fazê-la abandonar a busca e tentar apreender o sabor de coisas simples da vida, do amor, do sexo.
Hostilizando (e hostilizada) pela vizinhança, a Senhora D permanece em seu abandono e propõe reflexões. Louca e perfeitamente lúcida. A atriz Susan Damasceno encara todas as facetas da personagem e explora, num jogo habilidoso e expressivo, criativo, todos os sentimentos pelos quais as personagens passam. Porque não é só Hillé. É Ehud, Nico, Senhora P, o Porco-menino.
*
Ficha Técnica
Concepção e Interpretação: Suzan Damasceno
Direção: Rosi Campos e Donizeti Mazonas
Adaptação: Germano Melo e Suzan Damasceno
Cenografia e Figurino: Anne Cerutti
Iluminação: Pedro Brandi
Produção: Teatro Graffiti
Serviço
De 18/3 a 9/4
Terças e Quartas às 21h
R$20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)
No Espaço Parlapatões

18 de março de 2008

HIPNOSE

hipnose: as flores estão mortas no parapeito e não venta. Ela nem imaginava que, impossível, nunca. Que as mãos, as suas próprias, podiam carregar tão poderoso. As flores estão mortas no parapeito. Mortas e secas e escurecendo, as flores, e os cavaleiros não voltarão mais

Fedra


Sarah Bernhardt, em Phèdre.

'PHÈDRE - Eu tenho, do amor, todas as fúrias.'

(Jean Racine)

17 de março de 2008

postagem de 17/3.


Manuel Bandeira por Cândido Portinari, 1931.

MADRIGAL MELANCÓLICO

O que eu adoro em ti
Não é a tua beleza
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e incerteza.

O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como teu próprio momento,
Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E nem meu pai.

O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.


Manuel Bandeira

13 de março de 2008

Mito

É meio difícil explicar, mas tinha uma deusa e uma mortal. A deusa era tecelã, gabava-se de seu dom e tecia tecia tecia. A mortal também era tecelã e se gabava de seu dom e também tecia tecia tecia. A deusa desafiou a mortal. A mortal ganhou. A deusa ficou irada e castigou a mortal, fazendo ela ficar tecendo pra sempre. A mortal chamava-se Aracne.

12 de março de 2008

Seagull


Mariana Lima na peça 'Gaivota - Tema para um conto curto'
(versão da Cia. dos Atores para o texto de Tchekhov)



'Meu coração está repleto de você'

disse Nina a Trepliov.

8 de março de 2008

Caio Fernando, Abreu.

' - Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.

- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar na rede devagarinho pensando em dormir com você.

- Vou te escrever carta e não mandar.

- Vou tentar recompor seu rosto sem conseguir.

- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.

- Vou ver Saturno e me lembrar de você.

- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.

- O tempo não existe.

- Existe sim, e devora.

- Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?

- Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.

- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.

(Silêncio)

- Mas não seria natural.

- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.

- Natural é encontrar. Natural é perder.

- Linhas paralelas se encontram no infinito.

- O infinito não acaba. O infinito é nunca.

- Ou sempre.'

In. O dia que Júpiter encontrou Saturno (nova história colorida). Caio Fernando Abreu. do livro Morangos Mofados.

5 de março de 2008


cena de 'Dogville', de Lars Von Trier



mesmo ainda
o esconder e dói

eu podia dar
com meu carro num poste previamente escolhido planejado e num lugar deserto para que nada impeça

mas passa – passou
foi só o susto mas os olhos
os olhos

3 de março de 2008

medéia abaladíssima.


Maria Callas em 'Medéia', de Pier Paolo Pasolini.





A VIDA É A ARTE DO DESENCONTRO
EMBORA HAJA TANTO ENCONTRO
PELA VIDA.