29 de maio de 2008

HOJE E AMANHÃ.


SEM FALTA.


SESC POMPÉIA, 20h.
NOITES SUJAS: ANA CRISTINA CESAR


Em cena, Martha Nowill interpreta poemas de Ana Cristina Cesar e expõe, em forma de crônica, passagens marcantes da vida da escritora. Um vídeo-documentário contracena com a performance através de depoimentos de amigos da escritora e intervenções poéticas na rua. Idealização e Dramaturgia: Martha Nowill e Fernanda D’Umbra.
Direção: Fernanda D’Umbra. Vídeo: Edson Kumasaka. Para maiores de 12 anos. No Cine Beatnik, Área de Convivência. Retirada de ingressos na bilheteria, nos dias de apresentação.
Grátis

ressurgindo do abismo do esquecimento.


Ilustração: Natália Lemos.

http://emvladivostok.blogspot.com

sobre crescer

crescer é isso.
sentir-se mais só, invariavelmente e em progressão.


Que nem: sempre que tinha que fazer exames, ia com mamãe. Mamãe ficava comigo na sala de espera e esperava eu sair da sala de exame. Depois íamos embora juntas, tomar café. Ontem fui fazer exames sozinha, acho que pela primeira vez. É. Me senti tão que tive até pena.
Depois fui pegar o ônibus pra voltar pra casa.

20 de maio de 2008

ABANDONO 3

Não fui eu. Foi ele que me deixou. Saiu de fino e encontrei um bilhete. Deixe-nos no plano das idéias. Dizia o bilhete, ele. Eu concordei. Ele já tinha saído, mesmo. Antes, não tinha futuros. Agora pode haver, pelo menos, um plano. Não fui eu foi ele que me abandonou. Tapa na cara, uma rasteira e um empurrão. Não era isso que você queria. Disse. Perguntou. Respondeu.

18 de maio de 2008

atormentas

Tentativa 1. Aprender isso. A coisa mais linda e mais nossa entre duzentas mil paredes. E a melhor coisa do mundo parecendo jogada fora.
Deslumbramento 2. Ela fechava os olhos e sussurrava, gemia.
Ataque 9. A garrafa estava quebrada, as pontas do vidro e os gritos, o pó. Não havia como ser delicado, entende? Entende isso? Será que você entende? Se for possível, então, devolve as chaves, passa um café e não chora.
Previsão 4. É domingo.
Sintoma 16. Seis segundos de acionamento da descarga do vaso sanitário gastam de 10 a 14 litros d’água.
(fonte: http://www.ambienteemfoco.com.br)
Perigo 7. Ainda é jovem. Tem um mundo pela frente.
Sacanagem 48. O silêncio é nesse tempo cócegas. Ela estava, simplesmente. Aguardar terremotos.
Fuga 19. ‘A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem’. (Clarice Lispector em Uma aprendizagem ou O livro dos Prazeres).
Signo 2. Ar.
Signo 3. So close, so closed.
Signo 4. Temporada de caça aos leões.
Vontade 54. Era só uma vontade inocente, não merece a menor consideração.
Desfecho 14. Veremo-nos. Vá se distrair, menina, vá.

domingo de sol


Hans Hartung. n.116, 1963.



O ideal mesmo seria fazer uma viagem, sumir durante uns dois, três anos. Mas isso só poderá acontecer daqui a uns dois, três anos. Até lá, eu reflito sobre como deve ser legal ter uma banda. E penso como tantas vezes fico irreconhecível. E não quero nem abrir a carteira, para ver que sobrou pouco. E preciso parar de falar as coisas certas nas horas erradas. O quarto está bagunçado.










MEMÓRIAS DO SUBSOLO
Fiódor Dostoievski.

Pensai no seguinte: a razão, meus senhores, é coisa boa, não há dúvida, mas razão é só razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem, enquanto o ato de querer constitui a manifestação de toda a vida, isto é, de toda a vida humana, com razão e com todo coçar-se. E, embora a nossa vida, nessa manifestação, resulte muitas vezes em algo bem ignóbil, é sempre a vida e não apenas a extração de uma raiz quadrada.
p.41

E, em particular, talvez seja mais vantajoso que todas as vantagens, mesmo no caso de nos trazer um prejuízo evidente e de contradizer as conclusões mais sensatas da nossa razão, a respeito das vantagens; pois, em todo caso, conserva-nos o principal, o que nos é mais caro, isto é, a nossa personalidade e a nossa individualidade. Alguns afirmam que isto constitui de fato o que é mais caro para o homem; a vontade pode, naturalmente, se quiser, concordar com a razão, sobretudo se não se abusar desse acordo e se ele for usado moderadamente; isto é útil, às vezes, até louvável. Mas a vontade, com muita freqüência e, na maioria dos casos, de modo absoluto e teimoso, diverge da razão, e... e... sabeis que até isto é útil e às vezes muito louvável?
p.42

(...) chego a pensar por vezes que o amor consiste justamente no direito que o objeto amado voluntariamente nos concede de exercer tirania sobre ele. Mesmo nos meus devaneios subterrâneos, nunca pude conceber o amor senão como uma luta: começava sempre pelo ódio e terminava pela subjugação moral; depois não podia sequer imaginar o que fazer com o objeto subjugado.
p.142

8 de maio de 2008

NEVA

Ella quería desnudarse y era natural
La luna está una sonrisa nerviosa

Había algo a más, que son los sujetos:
sentir el frío de San Petesburgo








(después del Teatro en el Blanco)

programação.

3 MOSTRA LATINOAMERICANA DE TEATRO DE GRUPO

tá acontecendo desde segunda, mas só parei pra sentar na frente do computador hoje.
muito bacana.
La Candelária, da Colômbia, foi sensacional.
hoje tem Teatro en el Blanco, do Chile.

programação: http://www.centrocultural.sp.gov.br/index.asp

4 de maio de 2008

domingos.


Arrufos, de Belmiro de Almeida, 1887.


a cisão e fica um
ficam cheias essas
mãos de algo menor
e lembram a espera

ademais, peço don’t go away:
sabendo.

sally potter, 'yes'.

'a palavra solitário é uma ilusão. a própria vida vem de uma fusão. dois significa junção e separação, atração e rejeição, sim e não. não é um solo, mas um doce dueto que é cantado para nos trazer pra cá. e depois esquecermos como era antes de nos conhecermos.'

ARRUFOS


Ph. Divulgação.

Inspiração demais

Abajures no meio das poltronas duplas. Amor. Amor por todos os cantos e de múltiplas formas, todas enormes.
A peça Arrufos, criação coletiva do Grupo XIX, em cartaz até 11 de maio, explora as relações amorosas de diversos tempos, desde o século 19 até a contemporaneidade no Brasil. Iniciando com a perspectiva da fuga de um amor imposto e finalizando com a dificuldade que representa, hoje, falar e viver e encontrar e saber o amor, o grupo apresenta e reflete diversos conceitos através da vivência. É possível notar, ao longo da trajetória de algumas personagens – que não têm nome – , de falas e discursos, idéias de Barthes, Fromm e outros.

O mais bonito é isso. Mergulhar em pesquisas, saber muito bem sobre o que se fala e entender o como, a própria proposta de falar. O que vem com isso é a forma particularmente bela que tem esse espetáculo, essa vivência. Porque lá há uma simplicidade, uma humildade da parte de todos os envolvidos. O grupo cria uma atmosfera em que se torna impossível não entrar, resistir, pois as barreiras entre público e atores são derrubadas e o primeiro participa por desejo.

Além disso, essa possibilidade vem da sensação íntima que tudo transparece no espaço cênico. A arena, a iluminação simples, as soluções de cenário e figurino – que se transformam a todo momento – e os atores responsáveis por toda essa movimentação.

(Tem uma confusão de datas por aí. Tem gente dizendo que acaba neste fim de semana, tem gente dizendo do próximo e gente dizendo que será só dia 18. Vale a pena se informar e assistir.). SERVIÇO: Vila Maria Zélia, Belenzinho (Rua dos Prazeres esquina com a rua Cachoeira). Sexta-feira, 21h. Sáb, 20h. Dom, 19h. R$ 20. Duração, 110min. 16 anos.

2 de maio de 2008

pequenas grandes causas

Destruir relacionamentos é sempre difícil. Ficam alguns rancores e aquela palavra presa. Mas vai ser isso. É preciso entrar na sala e encarar um por um e destruir. Romper. Baseada na causa – e qual é a causa? A própria falta de. É preciso destruir esse círculo, essa massa instaurada. Cada movimento ali precisa ser preci(o)so, cada pequena causa que é o aonde se quer chegar precisa ter um porque chegar. Se não for assim não caibo. Não cabe. Necessidade de algo que fuja ao controle por si próprio, e não pela vontade de fugir do controle. Compreensível? Espero que seja. Destruir relacionamentos nunca é fácil. Ficam sempre palavras presas. Mas não dessa vez. É preciso entrar na sala e manter a palavra. E engolir o choro nervoso sem engolir o motivo do choro. Tudo bem, chorar, se for inevitável. Essa coisa que nasce entre os olhos. É preciso entrar na sala e dizer tudo.