domingo

LUZ EM AGOSTO, William Faulkner, 1932.

‘Sentada junto ao caminho, contemplando o carro que sobe a colina em sua direção, Lena pensa: “Venho de Alabama. Boa caminhada. Toda a estrada a pé, desde Alabama. Boa caminhada.”’ P. 7 – primeiro parágrafo do romance.

‘ O homem sabe muito pouco sobre os seus semelhantes. A seus olhos todos os homens e mulheres procedem de acordo com o que, segundo o seu modo de ver particular, o moveria a ele se ele fosse tão loucoque fizesse o que os outros fazem.’ P.42

“Agora já sei qual é a razão”, pensava Byron. “É porque a gente receia mais as dificuldades que poderá encontrar do que as que já encontrou. Antes de arriscar-se a mudar, apega-se à dificuldade anterior, à conhecida. Sim. Fala-se em escapar dos vivos, mas são os mortos que nos prejudicam. É dos mortos que não podemos escapar, dos mortos que estão quietos no seu lugar e que não tentam agarrar-nos.” P.64

‘Durante aquele período (a que não se podia dar o nome de lua de mel) viu-a passar por todos os avatares de uma mulher apaixonada. Bem depressa chegou a produzir-lhe alguma coisa mais do que estranheza: espantava-o, deixava-o perplexo. Surpreendia-o imprevistamente com ataques de ciúmes.ela não podia ter nenhuma experiência nesse ponto, não havendo razões para tais cenas e nenhuma protagonista possível. Christmas estava certo de que ela sabia disso. Era como se ela tivesse inventado tudo deliberadamente, com o propósito de representar, como se representa uma comédia.’ P.212

‘Passava a maior parte das noitem sem dormir e compansava-as dormindo de dia. Não estava doente; não era seu corpo. Nunca estivera melhor; seu apetite era enorme e ela estava pesando quinze quilos mais do que já havia pesado algum dia. Não era isso que a conservava acordada. Era qualquer coisa que saía da escuridão, da terra, do próprio verão agonizante, qualquer coisa de ameaçador e terrível para ela, porque o instinto lhe assegurava que não lhe faria mal algum, que a envolveria e trairia completamente, mas não lhe faria mal, que, pelo contrário, seria salva, que a vida continuaria a mesma e até melhor, menos terrível.’ P.216

‘O homem realiza e fabrica muito mais coisas do que pode ou deveria suportar. Assim acaba descobrindo que pode suportar tudo. É isso, e é isso que é terrível: que pode suportar tudo, tudo.’ P.244

‘No seu olhar havia algo de frio e volientamente fanático. Tinha uma curiosidade absurda e impertinente. Solitários, cinzentos, um pouco mais baixos que a maioria dos homens e mulheres, como se pertencessem a uma raça e espécie diferente, a cidade considerava ambos meio desequilibrados, mas nem por isso deixavam de encarregar Hines (...) de alguns pequenos trabalhos adequados às suas forças.’ P.278

“Não devo pensar nisso. Como uma pessoa fugindo de uma arma ou arremessando-se a ela não tem tempo de decidir se se a palavra que define seu ato é coragem e covardia.’ P.319

“Mas no céu e na terra há muitas outras coisas além da verdade”. P.389

‘(...) a que ponto é falso até mesmo o livro mais profundo, quando aplicado à vida.’ p.391
‘ – Puxa! Como uma pessoa viaja! Ainda não há dois meses que saímos de Alabama e já estamos no Tennessee.’ P.412 – último parágrafo do romance.

2 comentários:

Violet Scott disse...

Essas palavras me lembram outras. Outros posts me lembram momentos e fotografias. Sou ruim para a pintura.

Um beijo. VS.

Violet Scott disse...

leitura que perturbou.
beijo.VS.