domingo

VALSA


WALTZ WITH BASHIR
ARI FOLMAN, 2008.


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Intenso e simbólico. O homem e o tempo/espaço da narração na construção da memória e história pessoal e coletiva.

A animação começa com um sonho. Então, freudianamente, percorre longos caminhos, guerras, até chegar à realidade mais pura e dolorosa, escondida. Recuperada através da fala, do relato, diálogo entre personagens (reais?) que viveram a mesma situação.

O filme vai se construindo a nossos olhos a partir, primeiramente, da narração das personagens. Tudo que ocorre é narrado, o que nos traz a impressão de compartilhar, saber antes. Nos primeiros movimentos do filme a ótica de quem vai narrando dita os ritmos e acontecimentos, tudo é subjetivo e também muito poético, imagens e alegorias se espalham na tela. Em cenas de não-movimento – as cenas de diálogos entre personagens normalmente sentados, parados, conversando – há, em plano de fundo, uma imagem muito simbólica que se move.

A partir desse primeiro movimento, repleto também de repetições e destaques, vai se desenvolvendo uma abordagem mais objetiva da realidade. Movimento dois: passamos, portanto, da narração e visão subjetiva para a visão objetiva. O discurso fica direto, as intervenções do narrador são esparsas e assistimos à formação de uma nova realidade. Do sonho à lembrança. As imagens alegóricas vão sumindo, a narração e os acontecimentos ocorrem simultaneamente (antes a narração vinha primeiro) e um novo vocabulário de introduz, uma nova forma na reconstrução da história. Junto com essa reconstrução vem o questionamento de quanto e como é possível reconstruir algo coletivo. Algo coletivo, desesperador e diverso como a guerra.

Ficamos atentos a esse movimento até o final do filme, para dar de cara com um terceiro – e último – movimento: a realidade em si. Nessa hora a animação vira imagens reais como numa explosão, porque a mudança de um movimento para o outro acaba ocorrendo por uma linguagem não ser mais eficaz na representação da história. A linguagem da animação se torna insustentável num crescente. A realidade aparece breve e conclui o questionamento, depois de vermos a tensão crescente diante de nós, a tensão que começa subjetiva, depois restringe-se a um grupo – o grupo que participava da guerra – e depois envolve todos, inclusive os espectadores.

As imagens nada convencionais, artísticas, uma trilha sonora genial e a condução da história trazem também uma questão maior: sendo uma obra totalmente envolta de crítica, evocando questões reais e graves, não há clichês, panfletos ou indicações de culpas sociais. A questão é real, o conflito é real, a guerra é. Mas, ao realizar um filme, ao concretizar uma obra de arte com esse tema, é prezada sua forma. A partir disso a obra toma seu caráter humano acima do político, a arte se impõe e indica as infinitas possibilidades que o homem possui, que o mundo possui.

7 comentários:

espectador disse...

cinco estrelas.

Luciano Marra disse...

Olá, reativei o blog e coloquei filmes e programas para download, ok?
. Abç.
http://chavedeletra.blogspot.com

Ana Cristina Joaquim disse...

saí desconcertada...

Luciano Marra disse...

Oi, Juliana, coloquei no meu blog os links para quem quiser baixar o Waltz: filme, trilha sonora e legenda em português. Em relação ao comentário, coloquei um link direto para o seu porque ficou muito bom, blz? Se quiser eu tiro, só me falar. Abç.

Marfim Cariado disse...

baby retornei de vez ao blog. tem post novo. por falar em bashir, precisamos valsar

Tefo disse...

eu achei um super filme!

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado