26 de junho de 2009

Crianço – poema oral – brevida parte 1

Gostava de lugar cheio de gente, não
Crianço logo emburrava, Crianço era verde, Crianço cismava que cismava e berrava
Até calma trazer mamã: Crianço, mui-formosa, deveria experimentá-la ela pensou.
E vinha trazindo a rapariga pra Crianço dar paz, bezerrinha de dez, Crianço mais oito, dá dezoito.
Crianço esfalfava. E dormia e dormia chupando o dedão acalmado.

Mamã corria, Crianço dormia. Musculoso.

Depois já de grande, maior ainda, oferendas de mamã para Crianço por causa de tudo: trinta nas costas e ainda não sabia falar, não, ele que costumou berrar, mamã sempre trouxe as consolinhas e Crianço também só sabia o que era cama daí. Não conhecia jardim, nem rua, nem mato. Foi ficando débil mental e mais musculoso, por isso não mudava de nome. Crianço, crianço, crianço, esse aí vai virar santo. Mamã, olha só o tamanho da minha vara: Mamã até ficava triste e já nem precisava arrastar mulher pra Crianço, elas iam até com briga pra ir e tinha fila de espera na rua esperando algum achaque de Crianço para pular em Crianço e conferir o brinquedão. Ninguém vai casar com ele, mamã, ela fingia que não ouviu.

Um dia pensou que ia explodir e explodiu, mas foi nada não, menino saúde de ferro come sopa de pimenta. Só ficou maior e mais burro e mais faminto que rinocerontes. De modo que as meninas do povoado já tinham esgotado e não havia como arrumar mais ou pedir pra ir de novo. Crianço já não sabia pegar-mulher. Sem jeitão depois da explosão. Mamã então levava porcas, cabritas, vacas e girafas, leoas pra satisfazer o rebento e não adiantava, Crianço gostava de carne humana e mulher, o doutor disse que era isso, mesmo Crianço não sabendo falar ainda (e não contando nada a ninguém).

Só sobrou pra Crianço chupar cachimbo e ele não deu certo não. De mongol em mongol explodia muito, mamã já era pele e osso e pensava então que Crianço era o próprio capeta.

7 comentários:

vazio disse...

crianço é de beleza aspera sem igual.
mas do que entendo eu?

Marfim Cariado disse...

perfeito! simplesmente perfeito!

Luciano Marra disse...

Jisuis, sangue de São Maiconjequison tem poder! A cobra que te mordeu morreu! rsrsrs Esse foi o que mais gostei até agora, aquele sobre a Clarice caiu pra segundo no meu excepcional gosto rs.

É Ella? disse...

ma-ra-vi-lho-so, singular e gostoso de ler. Amei.

Ana Cristina Joaquim disse...

Nossa, Ju, gostei demais, demais, demais. Faiz mais!!!

tha disse...

adoro ler seu crianço.

Antenor disse...

Fabuloso.
Li 5 vezes sem parar, fascina.