terça-feira

acontecido


Van Gogh.


E quando dessufoca e sufoca o outro. Há um abismo porque ele não sabe o que dissemos, ele não vai saber o que dissemos, mesmo tendo sentado à nossa frente durante horas ouvindo o que não paramos de falar. Diferente como falar e receber. Há o abismo, e nós jamais imaginamos como é receber o que dizemos quando o que dizemos é para o bem comum. Então isso, desejar o próprio bem, porque se desejar o do outro, no falar, há um abismo, e nada é o mesmo dos dois lados. Porque a gente grita muito, a gente tenta gritar e quer fica fica fica e ele ouve, vai. Vai. Vai. As palavras não servem para esclarecer nada, disseram, elas só disfarçam, traiçoeiras, elas escondem tudo o que dizer e ele jamais vai saber o que dissemos. Por isso sempre dói e por isso nada vai ser leve, não nos entendemos, não entendemos, é impossível, é impossível mesmo prestando muita atenção em tudo, construídos, rígidos cada um a seu modo, e há um abismo mesmo assim, ele não apaga. ELE NÃO ACABA. Só em momentos de fundo, oh, o fundo, talvez.



Dá pra entender? Há o abismo. Há os dois lados não ligados, não ligáveis.
E há um fundo.

3 comentários:

ellen maria disse...

sim, há.





e uma coisa na garganta. parecida com um nó.

razo disse...

e ele continua não sabendo.

tha disse...

cheguei nesse e te digo: putavidaéisso!

acho que consegui saltar pelo abismo e me aproximar do que você disse aqui. ou não.

mas me identifiquei. e você sabe. certo?