segunda-feira

F(r)icções Biográficas

Tentativa#2: La Mamma

É claro que, para completar o pacote, ela só poderia ser mãe solteira mesmo. Não tinha escapatória. E aprendi muito com isso, sabe? Como ela precisou passar um tempo grande aqui na maternidade, conversamos bastante. No início ela estava um pouco inconsciente e só soltava frases como ‘a fragmentação do ser humano’ ou ‘crônicas da impossibilidade’ ou, ainda ‘a humanidade é podre, peida e fede’. Seus maridos vinham, traziam flores, mas ela nunca reagia, dizia que era mãe solteira mesmo, inconsciente mesmo. Ela só começou a voltar a si quando a criança saiu da UTI. Falou, falava, que a menininha se chamaria Soledad, que nem no livro. Ela era um doce. Conversávamos muito. Transamos algumas vezes, na cama da maternidade. Mas quando ela recebeu alta, foi embora. Eu fiquei aqui, na enfermaria da maternidade. E, seis meses depois, qual não foi minha surpresa quando vi, na página de lançamentos, o novo ‘Hello, Enfermeira!’, da autoria de Juliana Amato.
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Conceição Savoy, enfermeira-chefe da maternidade

3 comentários:

issoéumelogio disse...

gêniafilhadaputa.

Dedosnãobrocham - Anna S. disse...

cÊ tem pegada, mina! rs
q bom que voltou a postar
bjs

Ana Cristina Joaquim disse...

Eba, Ju. Só pra registrar...!