segunda-feira

duo 2

não sou eu é
você
é uma tesoura presa num fio
num fundo branco numa sala
toda branca

não sou eu é um silêncio
de milhões de acuados
é você assinando o deóbito atestado:
o mesmo de ontem
não imaginamos o quanto
estamos mortos você
e eu –
não não é essa
a nossa semelhança

agora perceba
está sendo uma ruptura
rápida e indolor
você é um estranho
deve se manter à mesma distância
das frutas azedas

então foi neste ponto que eu me enganei
ou
that is not what i meant, at all

porque você
está aqui
bem, aqui
na mão vazia


Julianamato

*

Desculpe o transtorno:
nosso mundo foi jogado às aspas,
mas porque as coisas criadas são estranhas
a todo sonho. Não é você, sou eu
que sou você.
Continua no próximo episódio
a cena final,
diante do espelho,
como jogado contra a parede,
alguém encarar
ou ela ou eu
em resposta ausente.


Mario Saga

4 comentários:

Marília Lourenço disse...

veja "Sem Título",1986
http://www.projetoleonilson.com.br/obra.php?tipo=2

Ellen Maria disse...

ai, essa mulher é tão poeta...

por isso que insisto nessa coisa de ler.

Mattus disse...

Leia me, divulge e critique .
http://voceehoquevoceouve.blogspot.com/2010/05/liberdade.html

Anônimo disse...

Volta e meia eu passo aqui pra me drogar.