terça-feira

de M. para F.
inverno, 2011



assim recomeço depois da demora

culpa do A aberto

do caos, da casa

do novo fôlego


continuo longe as roupas estão

no devido lugar

(é possível sim dividir completos

estranhos e sonhos oui)


no vagar, nunca fui a porto alegre

sequer ao porto

mas às montanhas

ao novo ano

ao branco puro aos amigos fui

à irremediável fronteira

da língua:


por exemplo randonné significa

escalar a neve

descobri a 2 mil metros do chão

e alguma ideia na cabeça

para um papel



*



DEZANOTAÇÕES SOBRE A POESIA

assim recomeço me perdi

e então, diariamente feliz


vi Baudelaire milimétrico, construído

pela primeira vez

pois bem há os que ganham

por pontos

os de nocaute

os dos momentos amargos

que já passei


projetos poéticos passam a perna

p-p-p-p

o projeto poético, um enganador

eu, muito menor (debutante

no auge

da hysteria - saltinhos)

um projétil, nenhum Rimbaud

nem meio rilke

muita potência, pouca questão

as solas dos pés ardem no chão

os olhos não estão prontos

para rever


o resto desse que se vai

fica aqui e um abraço

demasiado

apertado

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