sexta-feira

Se hoje eu estivesse atravessando a rua e fosse atropelada, e morresse, voariam 6 exemplares do meu livro, e eles pousariam na rua, e as pessoas em volta não ligariam pra ele, mas pra mim, que estaria estatelada atropelada. Os meus livrinhos ficariam jogados na rua, e por cima deles iam passar carros, motos, o pipoqueiro e transeuntes. Meus livros, que têm a capa branca, ficariam encardidos e com marcas de pneus e de sapatos, e iam chegar até os bueiros e mendigos da pracinha ali do lado. E amanhã, na mesa da Balada Literária que eu iria participar, todos fariam um minuto de silêncio por mim, com uma foto minha p&b e uma coroa de flores em volta – alguns chorariam. O mediador e o organizador contariam ao público presente o que aconteceu e meu livro ia esgotar no mesmo dia, logo no dia do lançamento, homenagem que todos me fariam: morreu jovem para viver sempre. Semirrimbaud.

E os seis que se perderam no atropelamento seriam exemplares raríssimos.

E a história do Brevida não teria continuação, para mim.

Mas ainda bem que sou uma autora estreante cautelosa, e atravesso sempre na faixa, olhando pros dois lados. Então, nesse nervoso que não vai me deixar dormir tão cedo, desejo muito que amanhã tenha sol, porque eu prefiro, e que todo mundo apareça, feliz, pra comemorar junto.

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