sexta-feira

e esse é o da Analu
se não fosse ela
eu nem saberia



"Tenho culpa no cartório. E tenho provas contra (?) mim. A própria autora de Brevida, Juliana Amato, autografou no meu livro algo como “Para Analu, que me mandou o link do concurso”. Explico: fui eu quem falou para essa jovem escritora – amiga de um amigo meu – mandar alguma coisa para o concurso da editora Edith, voltado só para mulheres. Ela mandou. Concorreu com finalistas fortíssimas (Laís Tapajós, Martha Nowill, entre outras) e ganhou de 60 escritoras, no total.
Deixei o livro hibernar umas semanas na estante até a oportunidade de viajar (literalmente) com ele. Como Brevida é breve desde o título até o tamanho, passando pela linguagem do protagonista, Crianço – já já falo mais dessa criação/aberração da Juliana –, torna-se o livro ideal para viagens, super portátil e bom para ler de uma tacada só.
No aeroporto, o voo atrasou. Pra variar. E dessa vez nem reclamei, porque já estava hipnotizada pelas palavras infantis, meio débeis, ditas por um menino-homem superprotegido/demolido pela mãe, o tal Crianço. Ele não tem nome. Nem a mãe. Nem a assistente social, para quem a mãe o delega.
(Curioso: Crianço não sabe fazer nada. Só sexo. E parece que ele é bem bom nisso. Como se fosse pouco mais do que um animal.)
Em Brevida, são poucos os personagens. Mas são fortes, complexos, desconcertantes. Mesmo falando desse jeito, raso, BREVE. Acho que nunca vou me esquecer de Crianço. Acho que Crianço merece Oscar de melhor ator de livro!
E o contraponto ao Crianço é uma socialite (nojenta) que aparece no meio do livro dando uma entrevista para uma revista de fofoca. Aquelas perguntas bestas para respostas idiotas. Mas ela também não é uma celebridade qualquer. Durante a entrevista, conhecemos seu lado “B”.
E, de uma maneira muuuito inusitada, é o sexo que une essa personagem do mundo de Caras ao “portador de necessidades especiais” (e pobre), Crianço. É a tal linguagem universal dos… homens? Ou seria dos animais?
Bati o olho na crítica do Renan Nuernberger que está no blog da Juliana e li o nome “Macunaíma”, associado ao protagonista de Brevida. Pensei: “putz, como é que não me liguei disso antes?”
Simplesmente porque, para mim, Brevida não me parece com nada do que já li. Falando assim parece que o livro é um OVNI, alguma coisa fora da realidade. É e não é."

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