segunda-feira

depois de ler a autoestrada do sul, do cortázar, escrevi esta série de poemas para a página um tal julio cortázar, comemorativa do centenário do mestre.



I

eu vou encontrar você
dia a dia

parada na mesma ponte
no mesmo quarto
na mesma casa
na mesma estrada

(vento nos cabelos)

segurando uma carcaça


II

entre meus dedos
você, a estrada
e o vento

a sua mão
(toca a minha, rapidamente
e se afasta)

a sua mão
um mapa ao contrário
uma história ao contrário
uma perda, uma pedra



III

o perfil cansado a curva

dos seus lábios:
não ao movimento

ou uma borboleta

muito branca
muito breve

eu vou procurar você

todas as horas
mesmo que o veneno
mesmo que linhas a lápis
num caderno


Um comentário:

Anônimo disse...

não há duvidas: isto é um poema de verdade