quinta-feira


mais trechos (para não fazer uma postagem tão enorme)




p. 96
de Adriana para Michele
“Mando-lhe um abraço e votos de felicidade, admitindo que a felicidade exista, coisa que não deve ser de todo excluída, ainda que raramente vejamos traços dela no mundo que nos foi oferecido.”


p. 104
de Adriana para Michele
“Não me parece verdade que terei telefone e logo telefonarei para você. Mas a ideia de lhe telefonar me deixa agitada. Creio não ter os nervos e o coração muito fortes. E pensar que eu era um touro. Mas passei por muitas. Por isso tornei-me frágil.”


p. 124
de Adriana para Michele
“Eu o acho muito inteligente, embora ele pareça manter sua inteligência guardada no tórax, no pulôver e no sorriso, furtando-se a usá-la por motivos que permanecem ocultos. Apesar do seu sorriso, considero-o um homem muito triste. Talvez seja por isso que me habituei à sua companhia. Porque adoro a tristeza. Adoro a tristeza ainda mais do que a inteligência.”


p. 130
de Mara para Angelica
“Escrevo-lhe meu endereço no fim da carta. Não sei se ainda ficarei aqui por muito tempo, pois, de tempos em tempos, a cacheada diz que não pode se dar o luxo de ter alguém em casa com ela. Às vezes diz isso, às vezes me abraça e diz que lhe faço muita companhia. A cacheada me dá pena. Ao mesmo tempo eu a odeio. Descobri que depois de conhecer as pessoas um pouco elas dão pena. Por isso, é muito bom estar com desconhecidos. Porque ainda não chegou o momento em que dão pena e ódio.”


p. 135
de Angelica para Mara
“Escreva-me ou dê-me notícias de você e do seu filho. Agora me acontece de pensar vez ou outra no seu filho, porque Michele tinha me dito que também podia ser dele. Eu não o achava parecido com ele, quando o vi, embora nada exclua que seja mesmo dele. Porém, penso que deveríamos cuidar do seu menino de qualquer modo, sem perguntarmos se é dele, nós, ou seja, eu e minha mãe e minhas irmãs, e por que acho que deveríamos eu não sei, mas nem todas as coisas que somos levados a fazer têm uma explicação, aliás, para dizer a verdade, acho que os deveres que temos não têm explicação. Assim, penso que procuraremos lhe mandar dinheiro de vez em quando. Não que o dinheiro vá resolver alguma coisa, sendo você sozinha, desorientada, nômade e tola. Mas cada um de nós é desorientado e tolo em algum lugar de si próprio e, às vezes, fortemente atraído pelo vagabundear e pelo respirar nada mais que a própria solidão, e então cada um de nós é capaz de se transferir para esse lugar para compreendê-la.”


p. 146
de Adriana para Fillipo
“Pode parecer esquisito, mas nós nos apegamos aos menores e mais esquisitos desejos, quando na verdade não desejamos nada.”




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