quinta-feira

era uma vez um livro entregue




enfim, depois desse tempo sem escrever nada aqui, muito focada nas questões práticas da vida e em concluir o livro, quero falar sobre ENTREGÁ-LO e o que passou no um-pouco-antes-de.

vou começar do começo, o título. que é a primeira coisa que as pessoas vão ler quando estiverem segurando um exemplar... bem, eu sou muito ruim para títulos. nem do título desta postagem eu gostei. brevida, título do meu primeiro livro, até hoje me causa arrepios, porque acho que ele não tem nada a ver com o conteúdo. eu sei que poderia ter mudado o título, mas quando ganhei o concurso ele logo começou a ser divulgado assim. daí já não tinha como mudar. ou até tinha, mas ia ser uma grande fadiga e eu quis evitar – sempre. o que salvou lindamente o título foi a arte da capa, que reproduziu a breguice do nome com muita personalidade (obrigada, meu amor).

já o jezebel, meu livro-conto-virtual, tem um título que acho demais. acho que acertei legal. ficou bonito o nome na capa, na fonte, o nome combina com o livro, com a ilustração da capa, com o tom da história.

agora esse, o meu novo. o meu primeiro livro de poemas, que começou tão esquisito e foi sendo concebido de um jeito bem suave – apesar de eu achar que todo o processo seria o contrário (eu sempre espero o pior). como ele foi inscrito em um edital, tive de mandá-lo já com um título. no entanto, conforme eu fui escrevendo ele, percebi que aquele título não conduzia aos textos, não tinha muita relação com eles. soava formal demais, distante demais. por mais que meu livro trate da distância também, sempre ela, eu acho que os textos fizeram um movimento contrário, tornando-as próximas, puxando-as para perto ao condensar os textos corridos, escritos à mão, em poemas. então quis mudar o título e propus, em uma carta de dez linhas, que foi (ou ainda será) enviada à Funarte.

um parentes: que estupidez pedir livros já com título antes de eles serem escritos! não deve haver um escritor na hora de elaborar esses editais, ou eles saberiam que é muito provável que o título mude – mesmo que seja para voltar à ideia original – e deixariam essa exigência de lado, ou pelo menos não pediriam justificativas para as mudanças, com cartas de dez linhas (a justificativa cabe em uma linha: “achei um título melhor”; ou em duas palavras: “me enganei”).

que engraçado: escrevi uma carta para poder mexer em meu livro sobre cartas. haha. vamos ver se eles aceitam. acho que eles precisam aceitar. se eles não aceitarem eu vou ficar muito triste e para o lançamento vou preparar um adesivo escrito “O verdadeiro título deste livro é NONONONON” (não vou contar já porque dá mau agouro) e colar nas capas de quem comprar. aí sim.

a entrega do livro estava programada para 10 de março, e dia 9 de março dei uma última lida nele e últimas mexidas, reunindo todos os toques dos leitores primeiros: obrigada Nelson Provazi, que lê tudo muito primeiro mesmo, e Ana Cristina Joaquim, que lê tudo muito atento. obrigada Dree Davanzo pela ajuda com o inglês. voltando, soube através de um email que a entrega tinha sido adiada para 18 de março! fiquei feliz mas não comemorei, porque ele já estava tão prontinho que nem peguei de novo nessa semana extra (tá, não foi só porque ele estava tão prontinho, eu também estava entupida de trabalho e frilas e achei que o mais certo seria cuidar dessa parte prática em vez de caçar pelo nos poema).

dia 17 mandei, por email, o livro pra editora. mandei com cópia para todas as autoras que dividirão esse primeiro grupo da coleção Poesia Menor. não foi um alívio. não foi nada demais, na verdade. foi uma situação boa e pronto. uma sensação de missão cumprida que eu gosto.

agora vêm os preparativos: toda a diagramação, revisão, divulgação do jeito Iara (cheio de coisas bacanas e bem-produzidas) e, por fim, o lançamento. que já tem data e será na casa das rosas (chique). muito curiosa com o que vem e pensando em coisas legais para apresentá-lo ao mundo – porque eu quero parar de ser ranzinza e fazer. simplesmente fazer. sair um pouco do umbigo anti-social e não ligar para os outros ou para o que eles pensam.

aqui as coisas parecem ainda mais solares nesse começo de outono. antes, eu queria que meu livro fosse todo cinzinha, meio em cor de névoa. eu sugeri isso.

agora até vejo ele amarelão e azul, como manda o uniforme.





Um comentário:

Nelson disse...

:****